Chaves para um coração próspero

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Sabemos que a obediência é fonte da bênção e da prosperidade de Deus para nós, pois é o que o Ele nos diz em Isaías 1.19: “Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra”. Deus tem o melhor para nós e quer nos abençoar!

Porém, muitas vezes não temos recebido e desfrutado as bênçãos de Deus, pois elas estão reservadas para aqueles que ouvem Sua Palavra e crêem nela, para aqueles que são Seus filhos, que consagram tudo a Ele, que fazem de Jesus o único Senhor de sua vida e já não são governados por Mamon.

Dinheiro é uma questão séria e a maneira como lidamos com ele determina como será nosso futuro em Deus. Por isso é tão importante para nós aprendermos sobre dízimos e ofertas, pois se Jesus não for o Senhor da nossa vida financeira, não poderemos provar do melhor de Deus. A promessa é para aqueles que quiserem e ouvirem a Deus – apenas esses desfrutarão a vida abundante que só o Senhor pode dar.

Quero compartilhar algumas chaves que podem abrir seus olhos espirituais para ver o dinheiro numa perspectiva completamente nova.

Semeadura e graça

A lei da semadura está claramente colocada pelo Senhor Jesus em Lucas 6:38. “Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”. E também foi ensinada por Paulo em II Coríntios 9:6. “E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará”.

Não podemos ignorar esse princípio bíblico. Todavia devemos entender que a graça de Deus é maior e mais profunda, na verdade ela está muito além dele.

Jesus disse que as aves do céu não semeiam e nem colhem, contudo o Pai celestial as sustenta. Ele acrescenta que valemos mais que as aves por isso o Pai também nos sustentará (Mt. 6:26). Assim, mesmo aqueles que nada semearam recebem o cuidado gracioso do Pai. Você acha injusto? Os suprimentos são de Deus e ele dá para quem quiser na quantia que achar melhor.

Existe, portanto, um risco de alguém concluir que tudo aquilo que tem colhido seja  fruto de sua própria semeadura. Isso nos conduz a um coração cheio de mérito pessoal e justiça própria. Podemos concluir equivocadamente que aqueles que estão necessitados hoje estão assim  porque não plantaram no passado ou porque são avarentos. Enquanto isso nos vemos como melhores e mais fiéis porque temos colhido. Mas tudo isso pode ser um grande engano.

Um outro exemplo é o povo de Israel no deserto. Ali eles não plantaram, mas colhiam todos os dias o maná. Será que a colheita do maná foi o resultado de alguma outra semeadura que tenham feito? Não, o maná foi fruto apenas da graça de Deus. Para que a graça de Deus se manifeste não há necessidade de semeadura.

Por favor, não me interprete mal. Não estou dizendo que a lei da semeadura não existe ou que não funcione. Ela funciona e é bíblica, pois tanto o Senhor Jesus como Paulo falaram dela. O que estou dizendo é que o Senhor nos oferece uma vida numa dimensão superior: uma vida pela graça. A graça é simplesmente pedi e das-se-vos-á, pois todo o que pede recebe (Mt. 7:7-8). Não plantei, mas peço para participar da colheita, não trabalhei, mas ainda assim espero receber um salário. Para aquele que trabalhou o salário é dívida a ser recebida, mas para quem não trabalhou, mas crê na justiça de Deus, o salário é a loucura dessa graça superabundante (Rm. 4:4-5).

Evidentemente a própria semeadura é uma expressão da graça de Deus, pois ninguém poderia semear se a semente não lhe tivesse sido dada por Deus. Vista desta forma a semeadura é uma forma de multiplicar a graça de Deus, visto que assim como recebi graça ao ganhar semente, Deus espera que eu ministre graça na colheita, dividindo-a com todos quantos necessitarem. Além disso, onde eu poderia achar a semente para a minha primeira semeadura? A primeira semente teve que ser comprada ou ganhada de alguém. Só quero lembrá-lo que a sua semente lhe foi dada graciosamente por Deus.

Todas as vezes que aplicamos a graça alguns podem tirar conclusões erradas. A primeira conclusão é de que não precisaremos mais ofertar ou semear, uma vez que Deus dará colheita tanto a quem plantou como a quem não plantou. Em primeiro lugar entenda que a graça é a provisão de Deus para lhe dar a semente que de outra forma você não poderia ter. Se você comer a semente e preguiçosamente ficar esperando ganhar mais, pode ser que a graça de Deus o discipline.

Podemos barganhar com Deus?

Não transforme sua semeadura num tipo de barganha com Deus. A lei da semadura funciona, mas a palavra de Deus diz que “ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Cor. 13:3). Mas se distribuirmos nossos bens motivados pelo amor, isso certamente nos aporveitará. Você percebe que a motivação é a graça e o meio é o amor? Quem ama semeia.

Talvez nenhum princípio bíblico seja tão deturpado como o princípio da semadura e colheita. Muitos pensam que é algo mecânico: dê um fusca e ganhe uma merrcedes, dê uma camiseta e ganhe um terno. Isso está errado. Simplesmente não funciona assim.

Alguns dão por obrigação – o que é errado –, mas outros ofertam para tentar manipular a Deus, o que é pior. Querem transformar o gazofiláceo numa roda da fortuna celestial, onde ele deposita uma oferta e recebe outro tanto de volta. Pessoas com essa motivação nunca prosperam.

Já vi gente doando um carro na esperança de ganhar um melhor. Só posso dizer que ele ficou a pé muito tempo. Mas se Deus lhe mandar dar o seu carro e você ofertá-lo por obediência e amor, pode ter certeza que você colherá a bênção de Deus de volta.

Mas ninguém deve fazer disso uma fórmula. A maneira como Deus curou a Naamã não é uma fórmula e assim também acontece com o cego curado com a saliva de Jesus. A única fóomula que existe é que tudo tem de vir por fé, no caminho do amor que resultado em obediência a Deus.

Ninguém deve doar o seu carro porque ouviu o testemunho de alguém que doou e foi abençoado com um carro melhor. Não diga: “eu também quero um carro melhor, então vou semear o meu”. Nossa motivação é fundamental. Devemos estar dispostos a dar mesmo que não recebamos nada em troca. Se não for bem compreendida, a lei da semadura se torna apenas uma desculpa para a cobiça e a ganância.

O grande problema hoje no meio evangélico é a mentalidade de fazer algum tipo de barganha com Deus. Esse pensamento está baseado numa má interpretação do texto de Lucas 6:38. “Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”.

O primeiro equívoco das pessoas a respeito desse versículo é pensar que Jesus está falando de dinheiro. Na verdade esse princípio se aplica a todas as área de nossa vida. O contexto é sobre julgamento, mas ele se aplica a dinheiro, amor, compreensão, paciência, perdão, etc. E também se aplica a julgamento, impaciência desamor, etc.

Não importa o que você dê, isso voltará para você numa medida recalcada, sacudida e transbordante. Esse é princípio básico da semadura e colheita: aquilo que plantamos nós colhemos do mesmo tipo numa medida muito maior. Ninguém colhe o mesmo tanto que planta e ninguém colhe algo diferente do que semeou.

A grande tentação é transformar a colheita numa motivação em vez de uma recompensa. O que você acha que Deus sente quando um pregador diz: “Venham! Ofertem a Deus e você terá de volta muito mais”. Não há nenhum lugar na Bíblia que nos ensine que podemos ter uma motivação de ganho pessoal quando ofertamos.

O que você acha que Deus sente quando os membros somente ficam excitados em ofertar para o seu reino quando são empolgados com promessas do tipo fique-rico-rápido? Você pensa que alguma vez Deus tenha dito algo como: “se o meu povo somente tivesse a visão de ganhar mais coisas e ficar rico, a igreja iria avançar muito”.

É lamentável que as pessoas não entendam que a visão de Deus é dar e não ganhar mais. Mas é verdade que se plantamos colheremos. E, não, Deus não é contra termos coisas e prosperarmos. Pelo contrário, ele ama nos abençoar. Mas nessa questão financeira a motivação do coração é tudo. “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito [coração]” (Pv. 16:2).

Tiago também diz: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg. 4:3). Jesus disse que todo o que pede recebe, mas agora essa verdade é complementada com o entendimento de que é preciso motivações corretas.

Quando se trata de agradar a Deus e operar em linha com os princípios do reino, as motivações do coração são o que importa mais.