Dia 13- As microcélulas

English version

    As dificuldades são imensas para os novos líderes, que muitas vezes não sabem nem sequer conduzir um momento de louvor, ou mesmo o compartilhamento da palavra na reunião de célula. Por isso muitas pessoas, mesmo maduras na fé, não se dispõem a liderar uma célula.

    Talvez as dificuldades sejam muitas, mas grande parte delas é facilmente resolvida quando aplicamos as microcélulas.

UM FACILITADOR DE MULTIPLICAÇÃO

    Basicamente, as microcélulas atuam como um facilitador no processo de multiplicação de uma célula. É muito simples, uma vez implementado o processo, não há volta e o resultado será sempre o mesmo: uma multiplicação saudável. Quando a célula atinge um numero de dez membros, então o grupo é subdividido em duas microcélulas de cinco pessoas, e o líder da célula e o líder em treinamento lideram, cada um, uma das duas microcélulas.

    As reuniões da célula devem começar normalmente com quebra-gelo e o louvor, mas, no momento do compartilhamento as duas microcélulas serão separadas em dois grupos distintos, ambos compostos de cinco pessoas. Podemos também estabelecer as microcélulas quando o grupo atingir doze pessoas.

    Nesse caso seriam três microcélulas com quatro pessoas em cada. Duas das microcélulas serão lideradas por dois irmãos líderes em treinamento, sendo que cada um liderará três irmãos. Assim podemos ter três microcélulas em uma só célula.

    No final do processo, os líderes estarão preparados e a partir do crescimento das microcélulas, que começam com quatro pessoas, a multiplicação acontece. A microcélula que atingir sete membros estaria em condições de se multiplicar e tornar-se uma célula, reunindo-se em outro lugar. As microcélulas podem incentivar e facilitar a multiplicação, mas o foco principal delas é o treinamento de novos líderes.

O ALVO É TREINAR NOVOS LÍDERES

    Como já dissemos, as células não são o ponto focal. Células surgem e desaparecem, começam e terminam. A menos que os membros de grupos se transformem em lideres de células, os frutos não serão duradouros. Por isso cremos que o crescimento da igreja está baseado na formação de líderes. Sendo assim, a prioridade máxima de um líder de célula é identificar lideres em potencial e iniciar o processo de discipulado.

    Nosso alvo é a conquista da cidade. A estratégia para atingir esse alvo é transformar os lideres de célula em discipuladores. O foco do nosso trabalho são as pessoas e não as atividades. O tempo dos membros é escasso, por isso precisamos focar nosso trabalho em pessoas e não em atividades.

    Alguns líderes se contentam em ter uma reunião de célula cheia mas uma reunião cheia não atinge o alvo completamente. Se ali não houver líder em treinamento, será uma célula fraca. Precisamos levar cada membro a se tornar um líder de célula. Além disso, precisamos mudar toda a mentalidade adquirida ao longo dos anos que passamos na escola. No treinamento escolar formamos professores e não líderes. Líderes são treinados no relacionamento de discipulado no dia-a-dia.

   Liderar é muito mais que realizar tarefas na igreja. Quem é líder de verdade lidera pessoas. Um líder que realiza uma tarefa, mas não lidera ninguém, está totalmente fora do propósito da liderança. Não trabalhamos apenas com cargos, pelo contrário, temos encargos. Não ostentamos títulos, temos funções. Cada membro deve ser treinado para ser um ministro enviado para ministrar em sua casa, escola ou trabalho.

    Em nossa igreja, temos um trilho de treinamento de líderes de células. Esse treinamento é constituído pelo Curso de Maturidade e pelo C.T.L. Mas, como já disse, apenas treinamento não forma líderes. É preciso que o líder de célula já experiente se torne um discipulador de seus líderes em treinamento. Somente assim conseguiremos levantar novos líderes.

    A prioridade de cada membro da igreja deve ser tornar-se um líder de célula, e a prioridade máxima do líder de célula é constituir líderes em treinamento e ser discipulador deles. Cada líder de célula deve constituir três líderes em treinamento na sua célula, que serão seus discípulos e cooperadores na célula.

    O líder de célula deverá então se encontrar semanalmente com seus três discípulos. Esse encontro poderá acontecer um pouco antes ou um pouco depois da reunião da célula, dependendo da disponibilidade da nova equipe. Durante esses encontros, o líder de célula estudará o Manual da Visão com seus três discípulos ou líderes em treinamento e também seguirá todo o processo proposto de acompanhamento e crescimento do discípulo. A partir de então todos os membros serão distribuídos entre os três discípulos que atuem como anjos da guarda cuidando dos demais membros.

    Observe que estamos definindo claramente dois níveis de membros dentro da célula. Temos os líderes em treinamento que são discípulos, e temos os demais membros, que consideramos ovelhas. Os líderes em treinamento são discípulos e por isso o líder da célula deve discipulá-los. Por serem discípulos, eles têm um nível maior de compromisso e responsabilidade. Todo líder em treinamento deve estar ciente do que significa ser um discípulo do Senhor.

    Os outros membros da célula, porém, devem ser apascentados. Apascentar não é o mesmo que discipular. Apascentar  é cuidar, proteger, alimentar e atender às necessidades das ovelhas. Se tratarmos ovelhas como discípulos, o resultado será o sofrimento da ovelha e a decepção do líder.

    Evidentemente, não queremos que as ovelhas sigam nessa posição indefinidamente. Nós queremos que elas se tornem discípulos. Sabemos, porém, que isso não acontecerá com todos. Sempre haverá alguém relutante em tomar a cruz, todavia, nunca devemos desprezar esses irmãos, pois eles são ovelhas que nos foram confiadas e teremos de prestar contas diante de Deus por cada uma delas.

    O trabalho dos líderes de célula deve sempre levar em conta os níveis ou estágios de maturidade dos membros da célula. O próprio Senhor Jesus trabalhava por níveis. Ele tinha as multidões, os 500, os 120, os 70, os 12, e entre estes, Pedro, João e Tiago. Para cada nível corresponde uma intensidade de acompanhamento e compromisso. Cada líder precisa ter clareza desses níveis. Quem não distingue níveis na igreja e na célula está deixando de lado um princípio absoluto que percebemos no ministério de Jesus.

QUEM COMPÕEM A REUNIÃO DA IGREJA?

    As reuniões das igrejas locais em geral se compõem de quatro grupos distintos de pessoas: o visitante, o frequentador assíduo, os membros e os discípulos.

O VISITANTE

Tais pessoas não fazem realmente parte da igreja. Como o próprio nome diz, o visitante é aquele que vai a uma ou duas reuniões, porque está passando por ali ou é convidado por um dos membros da igreja. Esses, quando não fazem uma decisão por Cristo, em geral não voltam mais. Em nossos relatórios das células, os visitantes são contados porque mostram a saúde daquele grupo. Uma célula saudável, assim como uma igreja, sempre terá visitantes.

O FREQUENTADOR ASSÍDUO

Estes são pessoas sinceras, que frequentam a maioria das reuniões da célula e das atividades da igreja. Até certo ponto pode-se contar com elas. São consideradas frequentadoras assíduas as pessoas que ainda não se batizaram, mas que frequentam a célula com certa regularidade. Alguns são frequentadores porque possuem algum impedimento para o batismo – na maioria das vezes, algum problema de divórcio, amasiamento, ou proibição dos pais para se batizar. Outros são frequentadores porque gostam dos irmãos ou são amigos dos anfitriões da célula. Gostam de receber oração e apreciam a comunhão dos irmãos, mas quando desafiados ao batismo normalmente recuam. Esses possivelmente ainda não nasceram de novo. Eles são contados em nossos relatórios das células.

O MEMBRO

Consideramos membro aquele irmão que se batizou ou aquele que veio de outra igreja reconhecidamente evangélica e que esteja frequentando nossas células há pelo menos dois meses (ou oito reuniões). Eles constituem a maioria dos participantes da igreja. Como membro, o que se espera dele é que frequente a célula e o culto de celebração aos domingos, seja um dizimista e coopere para a expansão da obra, trazendo visitantes para as células. Evidentemente, ele deve manter um bom testemunho e buscar se encher do Senhor a cada dia. Um membro ainda precisa se tornar um discípulo. Ele se torna um discípulo a partir do momento em que aceita o desafio de ser um líder em treinamento e se torna um discípulo do líder da célula.

O DISCÍPULO

O discípulo é um seguidor, uma pessoa disposta, disponível quando se precisa dela; que tomou a sua cruz e está seguindo a Cristo. Somente consideramos discípulos aqueles membros que aceitaram o desafio da liderança e estão dentro de um relacionamento de discipulado. Membros estão buscando a própria bênção, mas discípulos entenderam que precisam fazer a vontade de Deus.

O sonho de todo pastor é que a maioria dos irmãos integre este último grupo, que sejam discípulos. Mas, por experiência própria depois de muitos anos de ministério, tenho concluído que eles são sempre minoria.

UM NOVO PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO

    As microcélulas são um processo de multiplicação. Depois que a célula é subdividida em duas ou três microcélulas, dependendo da quantidade de membros e de líderes em treinamento, ela se multiplicará quando atingir quinze pessoas. Todavia, quando isso acontecer, os líderes em treinamento terão tido várias semanas de treinamento prático dentro da própria célula.

    A partir do momento em que uma célula passa a ter microcélulas, a reunião passa a ser afetada. Todas as microcélulas farão o louvor juntas e se separarão no momento da Palavra e do compartilhamento. Assim, cada líder em treinamento estará com a sua microcélula, mas na mesma casa.

    O alvo é que cada microcélula se fortaleça durante esse tempo e cada líder em treinamento esteja completamente seguro para sair com o seu grupo. À medida que as microcélulas atingirem um número mínimo de 7 pessoas, elas se multiplicarão e começarão a se reunir em outras casas como novas células. Uma vez completada a multiplicação, o líder ainda continuará liderando uma célula, mas agora também será um discipulador cuidando de outras três o quatro células.

E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. II Tm 2:2 

    Veja se você entendeu. “E o que da minha parte ouviste, através de muitas testemunhas”, Paulo não falou isso em particular, mas em público. “Isso mesmo transmite”. Para quem? Para qualquer homem? Para que tipo de homem? Para um homem fiel. Mas qual é a fidelidade que se espera dele? A fidelidade de manter o processo e instruir outros. Esse é o processo de reprodução na célula. Nós não multiplicamos células, nós multiplicamos liderança. Se você não está reproduzindo liderança na célula, você não compreendeu a visão apropriadamente.

    O próprio Paulo é um exemplo do processo. Paulo diz, “O que de mim ouviste” então Paulo começou. Timóteo ouviu. Ele era o discípulo. E agora Paulo diz: “O que você recebeu, Timóteo, transmite para homens fiéis”. E”esses homens fiéis, por sua vez, vão transmitir para outros. E esses outros, para outros. Qual é o propósito de Deus? Desencadear um processo, uma reação que ninguém pode impedir. Você recebe e passa para outro, que passa para outro, que passa para outro.

    Nós temos muitos cursos em nossa igreja, mas os cursos não substituem o discipulado. Curso não forma líderes e nem gera discípulos. A única maneira de se tornar um líder é sendo treinado por outro líder. Se você não anda com um líder, você não se torna líder. E se você não tem ninguém andando com você como discípulo, o processo reprodutivo está interrompido. A célula pode crescer, mas não se multiplicará.

    Não pense que seu trabalho como líder é simplesmente mandar alunos para o curso de treinamento da igreja. Assim como evangelizar não é mandar alguém para o encontro. Cada líder precisa perceber o espírito da obra de Deus e ter o encargo devido.

    A ordem de Jesus foi muito clara: “Ide, portanto, fazei discípulos […] ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado 

(Mt 28:19-20). 

    A ordem do Senhor foi para fazermos discípulos. Como é que os discipulamos? Ensinando-os a guardar. Ensinar a de não é ensinar usando curso de treinamento. Não é só ensinar de maneira teórica, é ensinar fazendo, ensinar a guardar é você fazer junto. Você não vai só ensiná-lo a orar, vai orar junto com ele. Vai ensiná-lo a pregar, sim, mas vai pregar junto com ele. Isso é se reproduzir. Você como líder, vai liderar junto com dois ou três discípulos em treinamento, que vão compartilhando com você as atividades da célula. O avanço da obra hoje depende da sua seriedade como líder de célula. O seu principal encargo deve reproduzir-se como líder.

O PAPEL DO DISCIPULADOR DE LÍDERES

    O discipulador precisa mudar a sua mentalidade de coletor de dados, ou de supervisor, para discipulador. Um supervisor apenas acompanha o trabalho de outros, se está sendo feito ou não. A função do discipulador, porém, é de um estrategista e não apenas de um fornecedor de dados para o pastor. O discipulador deve ter a mentalidade de pensar a igreja estrategicamente.

    A estratégia para atingirmos os milhares é transformar todos os líderes de célula em disicipuladores. Para isso, o foco do discipulado  não deve ser o trabalho dos líderes, e sim a formação de outro discipulado.

Muitos discipuladores se contentam com a multiplicação de suas células. Mas logo perceberão que será necessário outro discipulador para acompanhar as novas células, caso contrário seu trabalho poderá se perder. Antes que isso aconteça, cada discipulador deve trabalhar para que os líderes que multiplicam suas células possam acompanhá- las também, tornando-se assim um discipulador de líderes.

    Todo membro de célula sabe o caminho que deve traçar para se tornar um líder. Assim também deve ser com o líder de célula. Ele deve saber com clareza o caminho para se tornar um discipulador.

 O que o discipulador deve fazer com seus líderes:

• Alargar a visão dos líderes para que desejem crescer;

• Fazer conhecidos os critérios para se um discipulador;

• Estabelecer os critérios como um alvo para o líder;

• Estabelecer um tempo determinado para ele alcançar esse alvo;

• Deixar clara a responsabilidade de um discipulador;

• Reconhecer o trabalho do líder na célula;

• Desafiá-lo a acompanhar a célula que ele multiplicar;

O que o líder deve fazer para se tornar em um discipulador:

• Levantar e treinar outro líder;

• Multiplicar sua célula;

• Ser aprovado no discipulado;

• Ser aprovado pelo pastor;

• Estar disposto a assumir as responsabilidades como discipulador.

    O sucesso de um bom discipulador está em alcançar o alvo – passar o seu DNA de discipulador. A tarefa do discipulador não é somente levantar líderes de célula, mas multiplicar novos discipuladores de líderes.

PRINCÍPIOS UTILIZADOS POR JESUS COM SEUS DOZE

  1. Antes de ter discípulos, Ele tinha seguidores.
  2. Seguiu liderança do Pai na escolha dos seus doze discípulos.
  3. Ele selecionou os seus discípulos entre os seguidores que compunham a multidão.
  4. Ele fez um convite pessoal aos seus discípulos para que O seguissem.
  5. Apresentou-lhes a exigência do discipulado.
  6. Trabalhou com uma meta estabelecida.
  7. Ele treinou seus doze discípulos.
  8. Ele delegou responsabilidades a eles.
  9. Deu-lhes instruções claras e objetivas sobre o que fazer.
  10. Ele os supervisionou.
  11. Fez correções nas áreas que mostravam necessidade de ajustes.
  12. Comissionou-os a ser uma reprodução de sua vida e ministério.