Dia 18- Doze características de pais e patrões

English version

Jesus não veio para estabelecer um empreendimento. Ele veio para gerar a sua Igreja. Ele disse que se um grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto.

Se a igreja fosse apenas um empreendimento, ficaríamos contentes só em ter um grande movimento. Mas o que está no coração do Senhor não é um mero ajuntamento dominical. A maneira de Deus realizar seu objetivo é por meio da geração de filhos. Gerar filhos é muito mais difícil que abrir um empreendimento. Tornar-se pai é muito mais complicado que ser um administrador ou patrão. Nada neste mundo é mais complicado que a relação entre pais e filhos, porém, nada é mais gratificante. É mais fácil lidar com um empregado do que lidar com um filho e se acontecer uma decepção com um filho, certamente ela é muito maior que uma decepção com empregados. Filhos, entretanto, são insubstituíveis, mas empregados arrumamos outros.

Muitos preferem encarar a igreja como um empreendimento justamente porque é um caminho mais fácil, mais largo. O caminho estreito é justamente gerar filhos e discipulá-los. Se fomos chamados para gerar filhos, então o discipulado é uma relação de paternidade espiritual. Entretanto, muitos preferem encarar a igreja como um empreendimento, assim, sua equipe não é gerada, mas contratada; possuem empregados em vez de filhos e são patrões em vez de pais espirituais. Nossos discipulos são filhos espirituais. Alguns foram gerados, outros foram adotados, mas todos devem ser tratados como filhos.

O centro do coração de Deus é o gerar, mas muitas igrejas preferem fazer coisas para Deus. O Pai quer filhos, mas muitos insistem em fazer coisas, programas, empreendimentos. Deus não nos chamou para realizar algo para Ele, mas deseja que geremos filhos. Uma consequência natural é que aqueles que fazem coisas procuram ajudantes e tendem a se relacionar como se fossem patrões e empregados. Mas quando entendemos que estamos aqui para gerar, nos relacionamos como pais e filhos.

Assim, por um lado os discípulos precisam aprender que são filhos e a se relacionarem com seus discipuladores na posição de filhos. Isso já compartilhamos no capítulo anterior. Mas é necessário também que os discipuladores se relacionem com os seus discípulos como pais e não como patrões, unicamente cobrando resultados e monitorando o serviço.

Se começarmos a agir como pais, é bem provável que aqueles discípulos que ainda não se colocaram na posição de filhos mudem a sua atitude. Mesmo aqueles mais difíceis podem vir a ser transformados por causa do amor de um pai espiritual.

Gostaria de compartilhar doze características ou diferenças entre pais e patróes. Eu ouvi pela primeira vez esse assunto com o Pr. Donald Shaffer. Tomo a liberdade de usar suas anotações e fazer aqui as minhas próprias observações do que tenho vivido em minha experiência de discipulador.

1-PAIS SE INTERESSAM PELA EDIFICAÇÃO DO FILHO, PATRÕES SE INTERESSAM UNICAMENTE PELA PRODUCAO DO EMPREGADO

O pai valoriza o filho simplesmente porque é seu filho. Um patrão valoriza o que um empregado faz. Um discipulador com atitude de patrão se interessa apenas pela produção do discípulo, e assim transforma filhos em empregados.

Evidentemente filhos também produzem e pais devem exortar seus filhos para que façam e produzam em casa. Algumas vezes os pais são até mais criteriosos com o filho do com o emprego, isso porque empregados são cobrados apenas pela tarefa, mas quando pais cobram algo de um filho é visando algo muito maior, formação de um ser humano maduro.

Deus não está interessado nas coisas que nós fazemos, mas em nos acrescentar coisas enquanto fazemos algo. Quando minhas filhas ainda eram pequenas eu e minha esposa resolvemos que elas devem também ajudar nas tarefas de casa. Elas eram bem pequenas, com 7 e 8 anos de idade. A mais velha ficou responsável do cachorro e a mais nova deveria varrer o quintal. No começo elas se divertiam muito, mas depois faziam por obediência. Lembro-me que a mais nova, enquanto varria o quintal, não se importava que o vento trouxesse as folhas todas de volta. Ela queria apenas passar a vassoura no chão. Quando achava que tinha acabado, ela sempre perguntava: “Pai, ficou bom?” eu devolvia a pergunta: “Voce fez o melhor que pôde?” Ela sempre dizia que sim, então eu respondia que estava maravilhoso. Se qualquer outra pessoa olhasse, teria outro parecer, mas eu não estava interessado no negócio de limpar quintal, eu estava treinando minha filha para ser uma mulher.

É como o japonês que tinha uma horta ao lado de um vizinho. Todos os dias ele ia cuidar da sua horta e seu filho pegava um pé de alface e ficava desfolhando. O vizinho ficava indignado com aquilo e um dia resolveu perguntar para o japonês porque ele não impedia dia seu filho de estragar as alfaces. O japonês serenamente lhe respondeu: “Eu não estou cultivando alfaces, estou cultivando meu filho”.

Qual é a sua atitude? Você está aqui para construir prédios, enchê- los de bancos e realizar eventos, ou você está aqui para edificar filhos? Sempre procuro lembrar meus pastores que quando eles realizam um encontro não estão realizando um evento, nem mesmo estão lá em primeiro lugar para ganhar almas. O principal alvo deles deve ser edificar sua equipe, seus discípulos, seus filhos, enquanto fazem aquela obra. Pessoas certamente serão salvas, o mais importante, porém, é que filhos serão edificados nesse processo.

Pais procuram edificar filhos, mas patrões estão preocupados só com o empreendimento. Quem tem atitude de pai não quer perder ninguém. Patrões lamentam quando um empregado se vai, mas sabem que outros tomarão o lugar. Pais sabem que um filho é único e insubstituível. Você trata seus discípulos como filhos? Sua atitude é de pai ou de patrão?

2- PAIS USAM A PALAVRA PARA CORRIGIRE EDIFICAR SEUS FILHOS, PATRÕES USAM A PALAVRA. DE DEUS PARA CONSEGUIR O QUE ELES QUEREM DOS EMPREGADOS

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça. II Tm 3:16

A Palavra de Deus para você é apenas um instrumento de persuasão, ou seu objetivo é mesmo a edificação do discípulo? Pais corrigem, exortam e edificam seus filhos através da Palavra; patrões, porém, usam a Palavra para alcançar seus objetivos pessoais.

Patrões estão sempre temendo que seus empregados tomem coisas deles, mas sabemos que os pais preparam herança para seus filhos. Se você tiver mentalidade de patrão, desconfiará que o discípulo quer tomar o seu lugar, sua posição ou o seu espaço.

Um exemplo prático que nos ajuda a compreender isso é a questão do dinheiro na igreja. Em muitos lugares, a Palavra de Deus é usada apenas como meio de persuadir as pessoas a contribuir. Em nosso meio, os irmãos contribuem porque de fato entenderam que o mover de Deus passa pela questão de Mamon.
Quando falamos de dinheiro, percebem que falamos por causa deles, para o bem deles, e não por causa de algum interesse que tenhamos.

Numa ocasião o Espírito Santo me tocou para fazer algo diferente no momento das ofertas no culto. Chamei os ofertantes à frente e depois também os desempregados. Para surpresa deles, pedi que os dessem as suas ofertas para àqueles irmãos desempregados. Aquilo foi duplamente instrutivo. Em primeiro lugar, porque os ofertantes foram tomados de susto e se sentiram constrangidos em dar para o irmão aquele um real que dariam de oferta. E para os desempregados foi uma tremenda lição de amor que nenhum deles esperava.

Pais ensinam pensando no bem dos filhos, mas patrões ensinam pensando em como obter algo do empregado. Lembre-se sempre que verdadeiros discipuladores possuem atitude de um pai espiritual.

O que angustia o empregado é que ele sabe que tudo é para o patrão, nada é para ele. Mas a glória do filho é que, mesmo que o pai seja mais duro e exigente com ele do que com o empregado, ele sabe que tudo do pai é dele.

3-PAIS VEEM O SUCESSO DOS FILHOS COMO SENDO DELES, PATROES SENTEM-SE AMEAÇADOS QUANDO UM SUBORDINADO COMEÇA A TER SUCESSO

Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e voltando também Davi de ferir os filisteus
[3/24/2016, 2:38 AM] Joao Vitor Pedroza: , as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tambores, com júbilo e com instrumentos de música. As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares.
I Sm 18:6-7

Esse é um teste fundamental para conhecer o seu coração: verdadeiros pais ficam felizes quando os filhos fazem algo melhor do que eles. Pais desejam que seus filhos usem seus ombros como um trampolim para alcançar posições mais altas. Você precisa se sentir orgulhoso quando seus discípulos pregam ou fazem qualquer outra coisa melhor que você.

Árvores não crescem na sombra. Precisamos dar espaço e lugar para que o ministério de nossos discípulos floresça. Um amigo meu missionário certa vez me confidenciou que, quando ele voltou do seminário, seu pastor o chamou no gabinete e disse: “Eu vou lhe pagar tanto de salário apenas para você ficar quieto”. Isso parece loucura, mas essa insanidade é quase a regra por este país afora. Em de exigir mais trabalho por ser jovem e cheio de vigor, o pastor lhe exigiu que ficasse quieto. Não era pai, era um patrão travestido de pastor. E o pior, era um mau patrão, pois nem soube aproveitar o investimento feito no seminário.

Existem boas famílias e famílias disfuncionais. Nós procuramos ser uma família exemplar. Nossos filhos sabem que a casa tem regras, normas e tarefas a serem cumpridas. Nossos filhos têm funções e sabem o que se espera deles dentro da família. Ser família não significa ser desorganizado ou bagunçado, mas nem por isso transformamos nossos filhos em empregados.

4- PAIS SE ORGULHAM DOS FILHOS, PATRÕES SE ORGULHAM DA EMPRESA.

Você sabe se alguém é patrão ou pai pela maneira como ele testemunha da obra que está fazendo. A minha glória não é o prédio, a rádio ou a escola que construímos, o que faço questão de testemunhar é a respeito da minha equipe. Eles são os filhos que o Senhor me deu. A minha glória são os meus discípulos. Verdadeiros pais se orgulham antes dos filhos e depois da casa que construíram.

Empresários mostram as instalações da empresa e os produtos que fabricam, mas os pais adoram mostrar como seus filhos estão crescidos. Patrões promovem o próprio nome, mas verdadeiros pais sabem que os filhos os carregam dentro de si.

5- PAIS SE ALEGRAMEM VER SEUS FILHOS TENTAREM MESMO QUANDO ERRAM, PATRÕES SE ENVERGONHAM QUANDO SEUS EMPREGADOS ERRAM

Pais às vezes se alegram com certos tipos de erros. Outro dia, minhas filhas, que mal entraram na adolescência, resolveram ir ao shopping e, como não havia ninguém para levá-las, elas mesmas chamaram um taxi e foram sozinhas. A mãe delas ficou atordoada com aquilo, mas eu confesso que achei positivo. Mostrou certa iniciativa e independência que me agrada. Naturalmente ninguém alegra com pecados e escândalos, mas é bom ver nossos filhos tentando acertar, mesmo que no começo cometam erros.

Quando eu era criança, minha mãe sempre me mandava comprar algo na mercearia. Um dia pediu para eu comprar farinha de trigo, mas não tinha, então eu perguntei ao vendedor: “Não tem outra coisa que sirva?” Ele perguntou: “O que sua mãe deseja fazer? Como eu não sabia disse que achava que era pão de queijo e ele então me vendeu polvilho. Quando entreguei aquele polvilho para minha mãe, ela ficou perplexa, mas, como ela não tinha essa visão tão nobre naquela época, o resultado não foi muito bom para mim. É bom quando filhos pensamem alternativas e são criativos para resolver problemas, mesmo que errem ao tentarem achar uma solução.

Muitos querem ter discípulos que nunca fazem nada fora do esquema, mas bons discípulos são criativos e resolvem problemas. Muitos pensam que o bom discípulo é aquele dependente, que não faz coisa alguma sem antes consultar o discipulador com receio de errar. Bons pais e discipuladores estimulam a iniciativa. Se o discípulo acertar, ele vai aprender algo, e se ele errar, vai aprender mais rápido ainda.

6- PAIS SONHAM EM ENVIAR SEUS FILHOS PARA INICIAR NOVAS FAMILIAS, PATROES DESEJAM MANTER SEUS EMPREGADOS PARA SEMPRE

Filhos e empregados são alvos de investimento e treinamento. Quando o empregado manifesta o desejo de sair da empresa, o patrão vê isso como um roubo do seu investimento. Porém, quando um filho deseja sair para começar uma nova família, o pai sente-se feliz em ver que seu investimento será utilizado.

Esse é um teste definitivo de nossa paternidade espiritual. O grande medo de um empresário é que o seu empregado saia e abra uma empresa concorrente ao lado. Muitas igrejas possuem a mesma mentalidade carnal e mundiana. Pastores não querem treinar outros com receio de que o discípulo saia e abra uma igreja no bairro ao lado. Pensam na igreja como empresários pensam no seu empreendimento. Abrir mais igrejas para tais pastores é como abrir uma concorrência. Pastores que pensam assim são patrões e nunca tiveram filhos, e se os tiveram, certamente os feriu tratando-os como simples empregados.

Verdadeiros pais criam filhos para que eles um dia saiam e tenham uma própria família. Nada mais triste para um pai do que um filho solteirão que é ainda dependente dele. Pais querem ajudar o filho a comprar uma casa para se mudar com sua esposa. Pais espirituais criam condições para que seus discípulos tenham o que ele tem e realizem até mais que eles próprios realizaram. Patrões encaram como grande deslealdade a iniciativa do empregado de ter seu próprio negócio.

Nada prende mais que o amor. Quanto mais abrimos nossos braços na cruz para liberar nossos discípulos, mais os prendemos com laços de amor.

7- PAIS ESTAO SEMPRE PRONTOS PARA RESTAURAR UM FILHO PERDIDO, PATRÕES NUNCA RESTAURAM A CONFIANÇA PERDIDA

E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. Lc 15:20

A regra geral é que patrões nunca dão uma segunda chance. Filhos podem ser rebeldes, ingratos e pecadores, mas nunca deixam de ser filhos. Sei que aos olhos naturais é loucura tratar membros da igreja como filhos espirituais, mas creio firmemente que isso é o que está no coração de Deus.

Certo dia um de nossos pastores me ligou perguntando como agir a respeito de um dos seus líderes de célula que repentinamente resolveu sair da igreja. Ele estava realmente indignado pelo que ele chamou de deslealdade e grande ingratidão. Ele tinha investido tanto tempo cuidando e treinando aquele irmão e agora ele resolvera sair. O que fazer numa situação assim? Então eu perguntei para ele: “O que as pessoas naturais do mundo fazem num momento assim?Simplesmente faça o oposto do que elas fariam”

Assim, eu sugeri que o pastor reunisse os irmãos da célula e fizesse uma despedida para ele. Disse-lhe que o abençoasse e lhe agradecesse pelo tempo que esteve na igreja e de como ele foi bênção para nós. Que dissesse que não gostaria que ele saísse, mas que estava disposto a ceder por amá-lo, mas que as portas estariam abertas para quando ele quisesse voltar.

Aquele irmão ficou completamente perplexo. Aquilo era justamente o que ele nunca esperava ouvir. Ele de fato se foi, mas frequentemente passava na secretaria da igreja para cumprimentar o pastor. Até que um dia, não resistiu à amizade e voltou. Se o pastor tivesse agido como faz a maioria dos pastores, e tivesse amaldiçoado aquele irmão, ele certamente nunca voltaria.

Há pastores que tem uma atitude rancorosa, “Essa ovelha não merece o meu amor, traidora, cuidei dela, tirei carrapicho, o casamento dela estava ruim e fui eu quem ajudou, quando estava doente no hospital, eu fui visitar. Eu discipulei, consolidei e agora é assim que ela me retribui. Foi pastar em um pasto que ele acha mais verde”. Não é essa a atitude de um lider de verdade. Não é a maneira como os servos de Deus agem.

Um verdadeiro pastor deveria sempre convidar de volta uma ovelha que se desgarrou. Mas há pastores que, de tão ressentidos transformam aquela ovelha em uma inimiga a ser evitada. Ficam tão rancorosos que nunca mais dirigem uma palavra para a ovelha. Ele a encontra e a ignora, faz que não a viu e diz a si mesmo: “Ingrata! Me largou, como? Logo eu, um cara tão
[3/24/2016, 2:38 AM] Joao Vitor Pedroza: sensacional, ninguém largaria alguém tão incrível assim”. Eu não me assusto quando alguém diz que não quer andar comigo, porque às vezes nem eu mesmo quero. O que me assusta é existir alguém que queira andar comigo. Não é que eu tenha uma autoestima ruim, eu gosto de mim mesmo na maior parte do tempo, contudo, sei das minhas limitações.

Eu estou sempre disposto a trazer de volta uma ovelha que me abandonou. Chego a me tornar até meio inconveniente, pois a convido de volta cada vez que a encontro, mesmo nos lugares mais improváveis. Entretanto, há pastores que se acham sensacionais e a ovelha deveria se sentir agradecida todos os dias pelo privilégio de andar com alguém tão maravilhoso assim.

Filhos que em algum tempo foram ingratos algum dia podem voltar para casa de pais espirituais. Bons pais sempre permitem que seus filhos reparem o erro cometido.

8- UM PAI SE ALEGRA QUANDO SEU FILHO COMPARTILHA SEUS PENSAMENTOS, PATRÕES NÃO TOLERAM EMPREGADOS COM IDEIAS TRIVIAIS

É um dia alegre quando um filho começa a fazer algo que nunca fez. O pai deseja mostrar aos outros como seu filho está crescendo. Patrões exigem perfeição antes de mostrar aos outros, pois não querem ser envergonhados.

9- PAIS DEIXAM HERANÇA PARA SEUS FILHOS, PATRÕES DÃO APENAS O NECESSARIO PARA MANTER A MOTIVAÇÃO E A PRODUÇÃO

O pai se sacrifica por seus filhos. O patrão deseja que seus empregados se sacrifiquem por ele. É triste quando um grupo de discípulos se sente usado pelo discipulador para que ele possa atingir seus objetivos.

IO- PAIS DEIXAM OS FILHOS PARA BUSCAR O FILHO PERDIDO, PATROES DECIDEM RACIONALMENTE CORTANDO AS PERDAS

Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Mt 18:12-13.

O pastor da parábola não tinha uma atitude comercial. Para o mercenário ou comerciante, não é sensato largar noventa e nove ovelhas no deserto para buscar uma. E se ao voltar perceber que perdeu as outras noventa e nove? Ele não sairia para buscar apenas uma ovelha se a sua mentalidade fosse obter lucro.

O verdadeiro pastor considera cada ovelha com um valor individual. Discipuladores são como pais, não querem perder ninguém. Quando um pai perde um filho, mesmo que tenha dez, não adianta consolá-lo, dizendo: “Você ainda tem outros nove filhos, morreu só um”. Isso não consola, porque cada filho é único e sua perda é irreparável. Se não for assim, não há coração de líder, apenas uma atitude mercenária.

O pastor da parábola também não teve atitude passiva. Ele não ficou arrazoando consigo mesmo, dizendo: “Não vou fazer nada. É assim mesmo, ovelhas vão, ovelhas vêm; ovelhas nascem e às vezes infelizmente se extraviam e morrem. Daqui a pouco outra nasce e repõe a que se perdeu. Quando ficar de noite ela volta, quando der fome ela retorna”, ou então “Quando ela ouvir o uivo do lobo voltará correndo”. Isso é passividade, é por isso que muitos líderes perdem as suas células.

O discípulo não foi à reunião, e o líder também não vai atrás. Na semana seguinte, o discípulo não volta, e o dicipulador continua na mesma passividade. A consequência é que, possivelmente, ele não voltará mais, então, ele se resigna, dizendo: “É assim mesmo, não tinha compromisso, não queria nada com Deus”.

11- PAIS SENTEM ALEGRIA NO DISCIPULADO DOS FILHOS, PATRÕES PREFEREM EMPREGADOS EXPERIENTES PARA QUE NÃO SEJA NECESSÁRIO TREINAMENTO

Verdadeiros pais sentem alegria em cada fase da vida de seus filhos. O mesmo acontece no relacionamento com nossos discípulos, sentimos alegria em vê-los progredindo e avançando. Mas patrões querem empregados já treinados, prontos para o trabalho. Não são poucos os líderes que vivem insatisfeitos à procura de uma equipe já treinada. Igrejas bem-sucedidas e abençoadas são aquelas que possuem muitos discipuladores com verdadeiro coração de pai.

12- PAIS VEEM SEUS FILHOS COMO FRUTOS QUE GERARAM, PATRÕES VEEM EMPREGADOS COMO MEIO DE SUSTENTAREM A EMPRESA

Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.
Sl 127:4-5

Há discipuladores que cobram uma dívida eterna de gratidão. Verdadeiros pais são servos, e não investidores que esperam retorno com lucros pelo investimento feito.

Não existe nada pior do que discípulos que se sentem usados e manipulados. É terrível quando se sentem descartáveis e quando não conseguem produzir resultados como antes. Todos nós procuramos um ambiente de família onde possamos edificados como casa de Deus. A igreja é essa família onde existem muitos pais e filhos espirituais. Não podemos permitir que a mentalidade do mundo transforme a igreja numa espécie de empreendimento onde os discípulos são apenas empregados usados e descartados como simples peças de reposição de uma grande engrenagem.